Não vou dizer que não há boa vontade dos fornecedores do mercado de luxo em incluir os reles mortais - também conhecidos como classe média - em seu filão de negócios. Há sim. Armani, classudo e caríssimo, cedeu aos encantos do proletariado e desenvolveu a Empório Armani, onde sim, você consegue comprar com o que sobra do seu ordenado (ou parcela em suaves vezes), uma pecinha de roupa da marca para chamar de sua.
O dinheiro para ir à galeria Lafayette em Paris ficou curto? Porque não se deleitar com os selecionadíssimos produtos da Opaque, os mesmos exatos encontrados lá? Não deu pra economizar e comprar ‘aquela bolsa Chanel que eu vi na Vogue de dezembro’, me contento com o porta-níquel original da marca.
Tudo é acessível. Tudo cabe no cheque especial. Não cabe? Acha caro? Bom, muito provavelmente, é porque não é pra você. Eu sei. Dói. Ouvir “não é para seu bico” dói demais, talvez mais do que descobrir que aquela saia linda que você comprou há uma semana, sua irmã garimpou pela metade do preço no bazar da loja. Mas infelizmente o mercado é assim. Lojas, butiques, perfumarias e bancos são adeptos do “sim, isso não lhe pertence”.
O Banco Safra me mostrou isso claramente, preto no branco, sem dó: incauta, fui pagar três contas, sendo que uma delas era da bandeira do Safra. Enfrento a fila, bem luxuosa por sinal, com madames e senhores correntistas, que por sê-lo, passam na minha frente. Prédio na Avenida Paulista, todo em mármore, com detector de metais digno do Charles De Gaulle. Após aguardar humildemente minha vez, pago a conta do Safra e peço:
- Moço, tem mais essas duas!
Ele, mui educadamente, replica: - São do Safra?
Eu, muito naturalmente, triplico: - Não.
Ele, com aquela cara de escárnio, do tipo “ Não acredito que vou ter que explicar”, me comunica: - Você não é correntista né? Então, se não é do banco Safra, cobramos dez Reais por conta.
Assim, como se fosse a coisa mais natural do mundo e como se fosse uma honra eu pagar para pagar conta.
Enfim, elitismo. Ele existe e é pra mostrar onde cada um fica. Eu, por minha vez, fico na fila do Banco do Brasil, porque eu que não vou pagar dez Reais por conta.
Daniela Beatriz Carvalho de Abreu
O dinheiro para ir à galeria Lafayette em Paris ficou curto? Porque não se deleitar com os selecionadíssimos produtos da Opaque, os mesmos exatos encontrados lá? Não deu pra economizar e comprar ‘aquela bolsa Chanel que eu vi na Vogue de dezembro’, me contento com o porta-níquel original da marca.
Tudo é acessível. Tudo cabe no cheque especial. Não cabe? Acha caro? Bom, muito provavelmente, é porque não é pra você. Eu sei. Dói. Ouvir “não é para seu bico” dói demais, talvez mais do que descobrir que aquela saia linda que você comprou há uma semana, sua irmã garimpou pela metade do preço no bazar da loja. Mas infelizmente o mercado é assim. Lojas, butiques, perfumarias e bancos são adeptos do “sim, isso não lhe pertence”.
O Banco Safra me mostrou isso claramente, preto no branco, sem dó: incauta, fui pagar três contas, sendo que uma delas era da bandeira do Safra. Enfrento a fila, bem luxuosa por sinal, com madames e senhores correntistas, que por sê-lo, passam na minha frente. Prédio na Avenida Paulista, todo em mármore, com detector de metais digno do Charles De Gaulle. Após aguardar humildemente minha vez, pago a conta do Safra e peço:
- Moço, tem mais essas duas!
Ele, mui educadamente, replica: - São do Safra?
Eu, muito naturalmente, triplico: - Não.
Ele, com aquela cara de escárnio, do tipo “ Não acredito que vou ter que explicar”, me comunica: - Você não é correntista né? Então, se não é do banco Safra, cobramos dez Reais por conta.
Assim, como se fosse a coisa mais natural do mundo e como se fosse uma honra eu pagar para pagar conta.
Enfim, elitismo. Ele existe e é pra mostrar onde cada um fica. Eu, por minha vez, fico na fila do Banco do Brasil, porque eu que não vou pagar dez Reais por conta.
Daniela Beatriz Carvalho de Abreu
Um comentário:
Dani, adorei seu estilo de escrita. Envolvente e descontraído. Por favor, escreva mais!!!!
Guillermo Tângari
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