quinta-feira, 23 de abril de 2009

Eu quero? Eu posso? Eu preciso?

Minha amiga Amanda diz que essas são as três perguntinhas mágicas que nos devemos fazer antes de adquirir um bem ou serviço do qual temos alguma dúvida. Isso se aplica principalmente depois de você jurar que não ia comprar um par de sapatos, nem sequer de havaianas, nos próximos três meses. Aí você vê aquele par de verniz vermelho - lindo, brilhando, convidativo – na vitrine da loja do shopping, no final da hora do seu almoço, no meio do mês, depois de torrar o crédito em lingerie. Putz, mas é o último. E no seu número.

Essa é a hora de parar e responder a essas três, porém cruciais, perguntas antes de sacar o cartão de débito e falar “Vou levar. Embrulha?”

Eu quero?
Bom, é óbvio. Senão, não estaria me incomodando com essas perguntas, pra começo de conversa. Então, pra essa, é sim.

Eu posso?
Quase sempre, a resposta será negativa nessa pergunta. A não ser que seja no começo de mês ou a sua madrinha depositou o seu ‘presente de aniversário’ atrasado.

Eu preciso?
Essa pergunta é capciosa. Cruel, na verdade. Surgem mil e um motivos pra você precisar daquele bendito sapato, que vão desde um simples ‘combinar com aquela blusa que eu não uso nunca’, até com o ‘mas com salto 2,3cm, com o bico redondo, eu não tenho’. Resumindo, não, você não precisa. Mas você quer taaaanto...

Mas atenção, se o seu ‘precisar’ for pra combinar com a blusa encalhada, cuidado. Você pode acabar com duas coisas encalhadas, que você comprou não sabe muito bem o porquê, que não vai usar nunca. Ou seja, aquela nossa amiga antiga, a compra por impulso. Comprar por impulso leva muita gente à bancarrota, ou até ao analista. Fiquei sabendo que uma jornalista, maravilhada com a arquitetura moderna, comprou um apartamento por impulso. E depois voltou à construtora, humildemente, pedindo para devolver o investimento porque não poderia pagá-lo. Assim, como quem devolve um vestido que na loja ficou bom, mas em casa... pero no mucho.

A salvação é, segundo a própria amiga que levantou a tese, se você responder a duas dessas perguntinhas inconvenientes, recebe-se carta branca para adquiri-la. Basta ver se a análise de crédito vai concordar. Ou o seu marido.

Daniela Beatriz Carvalho de Abreu

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