terça-feira, 13 de outubro de 2009

Aprender sem sair de casa - a realidade virtual chamada e-learning

O estudante: sôfrego, sonolento, tomado pela preguiça matinal, com a rebeldia típica de quem é arrancado sem piedade dos braços de Morfeu, que, acordado para ir à escola - penoso, árduo martírio diário - pensa consigo "só mais cinco minutos"... sonha em poder cessar esse ciclo que se repete até que enfim seus cursos estejam completos. E se tudo isso pudesse ser feito no aconchego de sua própria casa? Sonho? Não, esse 'sonho' pode ser definido por uma palavra: e-learning. É o futuro da educação tradicional, é o conhecimento remoto transmitido pelo simples e fácil meio e-letrônico.

Sim, pois qualquer aprendiz nascido depois das gênesis da Apple, da IBM e da Microsoft, é um e-studante. Está redondamente e-nganado quem pensa que é só ter um e-mail e pronto, tem-se um diploma: "Um curso a distância só pode ser assim definido quando, além do conteúdo e planejamento de estudo, vem acompanhado de recursos interativos, que permitam a comunicação sistemática entre aluno e tutor", diz Giovanni Farias, do portal de e-learning WebAula, que oferece cursos on-line. Ou seja, tutoriais disponíveis na Internet, Cd's de apoio e afins, são considerados apenas estudos dirigidos. O estudante que se propõe a estudar à distância, tem que se adaptar ao perfil do método, que inclui muita disciplina, autodidatismo e força de vontade, já que a solidão talvez não seja uma grande fonte de motivação do aluno.

E o e-learning é um bolo que não pára de crescer. Sites especializados em discutir, oferecer cursos e analisar sua validade, não faltam. Segundo dados do International Data Corporation (IDC Group), o mercado do e-learning deve movimentar de US$ 6.6 bilhões em 2002, para US$ 23.7 bilhões em 2006. Importante não só economicamente, essa expansão rápida e avassaladora do e-learning, traz à luz toda uma reforma do ensino tradicional. As instituições de ensino,que conservadoras, recusam-se veementemente a aceitar um computador em sala de aula, estão fadadas à nostalgia dos arqueólogos que num passado distante, viam salas com quadros-negros cobertos com pó de giz.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

"Luxa, eu te amo" ou a epopéia do 'baluarte' santista, Márcio


Essa história é imperdível. Tão imperdível que eu vou colocar o texto, na íntegra, do próprio personagem. Não é uma história nova, mas a gente ri, mesmo passados três anos do episódio! Contada inicialmente por Rafael Faro e protagonizada por Márcio De Meo. Totalmente excelente!

Torero, histórias insólitas, todos nós, que freqüentamos estádios, temos. Eu, santista fanático como você, tenho várias. Mas tenho uma que considero mais pitoresca do que todas essas. E com um ingrediente a mais: ainda não aconteceu. Para que se possa compreender a história, preciso fazer um pequeno flashback: em meados de 2004, com o Santos fazendo campanha irregular no segundo turno do Campeonato Brasileiro, eu tecia sempre raivosos comentários contra Luxemburgo, pois o time não conseguia engrenar, apesar de ter elenco nitidamente superior ao do Atlético-PR, então líder. Claro que havia os "erros" da arbitragem, que anulou mais de uma dúzia de gols do Santos, e a oposição sistemática do STJD, que tirava mandos do nosso time a cada copo d'água atirado no gramado, mas a verdade é que eu nunca consegui engolir a traição do Luxa naquela primeira passagem, quando nos deixou na mão para ir treinar o Corinthians. Assim, ele era meu alvo preferencial de críticas. Um amigo meu, o Rafael, que se diz palestrino mas é, antes de tudo, discípulo de Luxemburgo, tomou as dores do técnico e propôs uma aposta: "Se o Santos for campeão, você leva uma faixa escrita 'Luxa, eu te amo!", como se gritar isso durante o jogo não fosse suficientemente ridículo. Eu, sem esperanças de ver nosso time levantar o caneco, topei.

O resto você já sabe: o chocolate no Grêmio e no São Caetano, a pipocada do Atlético-PR contra o Vasco, São José do Rio Preto (e Branco)... e festa.

Aí meus outros amigos entraram na brincadeira. O Rodrigo, corintiano, comprou um tecido de 10m x 1,40m para mandar pintar a tal faixa. Quando o Rafael propôs e eu aceitei levar uma faixa, imaginei uma pequenininha, daquelas que as pessoas seguram nas mãos, com dizeres em torno do tema "Filma nóis, Galvão". Mas amigo é pra momentos assim: eles não perdem a chance de nos fazer passar vergonha.

Como o Luxa foi para a Espanha durante as férias que se seguiram à conquista, a aposta ficou adormecida.

Mas ressuscitou assim que ele voltou ao Santos: meus amigos tiveram a pachorra de guardar a faixa. Agora, está agendado: meu dia de pagar a aposta (e a língua) será dia 19/2, domingo que vem, contra a Ponte Preta, na Vila Belmiro. Claro que todos os meus amigos - corintianos, palmeirense, são-paulino - vão ao jogo especialmente com o objetivo de registrar o momento. Em minha defesa, só posso dizer que, pelo menos, pago minhas apostas.
Nem preciso dizer que esse evento foi épico. O pessoal que recebeu a carta de autorização da faixa estava em polvorosa para saber quem era o tal do Márcio. O 'estandarte' ficou bem em cima do banco do Luxemburgo, que deve que se explicar na coletiva de imprensa. A mídia obviamente se interessou: rádios, tevês, jornais... todos quiseram entrevistar os envolvidos. Até as torcidas fizeram coro, chamando o Márcio de nomes pouco lisonjeiros para homens heterosexuais.
Ainda aguardando o clipping do ocorrido, aqui vai um link pra uma das matérias:

quarta-feira, 29 de abril de 2009

O Cliente – uma experiência de consumo única (quase a última)

Todo mundo sabe que o cliente sempre tem razão até quando não tem. Que o cliente tem que ser paparicado, amado, idolatrado, salve, salve. Mas há de se ter um limite, nem que ele leve ao esgotamento físico, psicoemocional ou beire o além-vida. Recentemente fui ‘brindada’ com uma dessas experiências e quase que, por amor ao cliente, passei dessa pra melhor. Na verdade o fato é que eu não sei efetivamente se eu cheguei mesmo perto de dobrar o cabo da boa esperança, mas que deu pra dar um susto peraltinha, deu. A história foi tragicômica, mas tudo por devoção ao cliente.


Eu não sou de beber café. Aliás, nunca. Nem pra agradar a tia-avó. No máximo um capuccino gelado (que é 90% chantily, 9% açúcar e 1% café) no Starbucks. Pois bem, tendo esse histórico descafeinado, há de se supor que eu seja altamente sensível à cafeína. Lá vou eu, visitar meu cliente em sua fazenda de café, no sul de Minas Gerais. Cliente chique, gente boníssima. Fazenda fina, pertencente à família dos magnatas da comunicação no Brasil (chuta, que é gol).


Enfim, fomos eu, meu chefe e o motorista, às 5h00 da matina, pegar estrada – só quatro horinhas. Fiquei meio nervosa, não sabia que roupa vestir, sendo que não tenho nenhuma camiseta pólo do Ralph Lauren pra fazer o estilo ‘esporte fino’ e passar uma boa impressão pro cliente tipo ‘sou chique mesmo despojada, durmo em lençol de cetim e acordo maquiada e de cabelo feito’. Chegamos à fazenda, maravilhados com aquele cafezal que vai até onde a vista alcança (nessa hora, já estávamos com o espírito do interior de Minas, usando até o léxico local – acho que voltei puxando o erre e falando tudo no diminutivo).


Conhece o cliente, bota no pé, óculos de sol e toca ‘corrê a lavôra’. Bora. Mas antes, vamos tomar um cafezinho? CLARO! ADORO CAFÉ. O meu com adoçante, por favor. Eu é que não ia fazer desfeita pro cliente. Não me avisaram que ‘tomar um cafezinho’ é um eufemismo para ‘vamos tomar alguns cafezinhos e conversar um pouco’. E dá-lhe café. Espresso, puríssimo, premiado, encorpado.


Na hora do almoço eu comecei a sentir a palma da mão formigar. Depois do 18° espresso eu parei de contar, mesmo porque não lembro nitidamente o que houve. Só sei que fui aceitando xícara após xícara, degustação após degustação. Então se finda a visita. Voltamos para o carro para retornar à Sampa. Acho que talvez pelo fato de eu estar andando o tempo todo, só fui sentir o efeito do café quando parei, dentro do carro. Parei mesmo, de falar e de respirar inclusive.


Segundo o motorista, eu estava esverdeada quando ele perguntou: “Daniela, você não está muito bem, né? Quer que eu pare o carro?” Fiz um movimento rotatório com a cabeça, um sim meio não. Depois de minutos sem falar uma palavra, confidenciei aos presentes: “Acho que vou morrer”. Taquicardia, pressão descompassada, náusea, um horror. A coisa ficou preta. Paramos em uma farmácia em Poços de Caldas e fui informada que pra melhorar meu estado, só transfusão de sangue ou muita água. MUITA água. Tomei três Dramins e demorei uns dois dias pra voltar da ‘catalepsia narcótica’.


Meu chefe falou que eu não precisava ter tomado TODOS os cafés que me foram oferecidos. Nem pra agradar o cliente.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Nós e eles – a tentativa de inserção da classe média no mercado de luxo

Não vou dizer que não há boa vontade dos fornecedores do mercado de luxo em incluir os reles mortais - também conhecidos como classe média - em seu filão de negócios. Há sim. Armani, classudo e caríssimo, cedeu aos encantos do proletariado e desenvolveu a Empório Armani, onde sim, você consegue comprar com o que sobra do seu ordenado (ou parcela em suaves vezes), uma pecinha de roupa da marca para chamar de sua.

O dinheiro para ir à galeria Lafayette em Paris ficou curto? Porque não se deleitar com os selecionadíssimos produtos da Opaque, os mesmos exatos encontrados lá? Não deu pra economizar e comprar ‘aquela bolsa Chanel que eu vi na Vogue de dezembro’, me contento com o porta-níquel original da marca.

Tudo é acessível. Tudo cabe no cheque especial. Não cabe? Acha caro? Bom, muito provavelmente, é porque não é pra você. Eu sei. Dói. Ouvir “não é para seu bico” dói demais, talvez mais do que descobrir que aquela saia linda que você comprou há uma semana, sua irmã garimpou pela metade do preço no bazar da loja. Mas infelizmente o mercado é assim. Lojas, butiques, perfumarias e bancos são adeptos do “sim, isso não lhe pertence”.

O Banco Safra me mostrou isso claramente, preto no branco, sem dó: incauta, fui pagar três contas, sendo que uma delas era da bandeira do Safra. Enfrento a fila, bem luxuosa por sinal, com madames e senhores correntistas, que por sê-lo, passam na minha frente. Prédio na Avenida Paulista, todo em mármore, com detector de metais digno do Charles De Gaulle. Após aguardar humildemente minha vez, pago a conta do Safra e peço:
- Moço, tem mais essas duas!
Ele, mui educadamente, replica: - São do Safra?
Eu, muito naturalmente, triplico: - Não.
Ele, com aquela cara de escárnio, do tipo “ Não acredito que vou ter que explicar”, me comunica: - Você não é correntista né? Então, se não é do banco Safra, cobramos dez Reais por conta.
Assim, como se fosse a coisa mais natural do mundo e como se fosse uma honra eu pagar para pagar conta.

Enfim, elitismo. Ele existe e é pra mostrar onde cada um fica. Eu, por minha vez, fico na fila do Banco do Brasil, porque eu que não vou pagar dez Reais por conta.

Daniela Beatriz Carvalho de Abreu

Eu quero? Eu posso? Eu preciso?

Minha amiga Amanda diz que essas são as três perguntinhas mágicas que nos devemos fazer antes de adquirir um bem ou serviço do qual temos alguma dúvida. Isso se aplica principalmente depois de você jurar que não ia comprar um par de sapatos, nem sequer de havaianas, nos próximos três meses. Aí você vê aquele par de verniz vermelho - lindo, brilhando, convidativo – na vitrine da loja do shopping, no final da hora do seu almoço, no meio do mês, depois de torrar o crédito em lingerie. Putz, mas é o último. E no seu número.

Essa é a hora de parar e responder a essas três, porém cruciais, perguntas antes de sacar o cartão de débito e falar “Vou levar. Embrulha?”

Eu quero?
Bom, é óbvio. Senão, não estaria me incomodando com essas perguntas, pra começo de conversa. Então, pra essa, é sim.

Eu posso?
Quase sempre, a resposta será negativa nessa pergunta. A não ser que seja no começo de mês ou a sua madrinha depositou o seu ‘presente de aniversário’ atrasado.

Eu preciso?
Essa pergunta é capciosa. Cruel, na verdade. Surgem mil e um motivos pra você precisar daquele bendito sapato, que vão desde um simples ‘combinar com aquela blusa que eu não uso nunca’, até com o ‘mas com salto 2,3cm, com o bico redondo, eu não tenho’. Resumindo, não, você não precisa. Mas você quer taaaanto...

Mas atenção, se o seu ‘precisar’ for pra combinar com a blusa encalhada, cuidado. Você pode acabar com duas coisas encalhadas, que você comprou não sabe muito bem o porquê, que não vai usar nunca. Ou seja, aquela nossa amiga antiga, a compra por impulso. Comprar por impulso leva muita gente à bancarrota, ou até ao analista. Fiquei sabendo que uma jornalista, maravilhada com a arquitetura moderna, comprou um apartamento por impulso. E depois voltou à construtora, humildemente, pedindo para devolver o investimento porque não poderia pagá-lo. Assim, como quem devolve um vestido que na loja ficou bom, mas em casa... pero no mucho.

A salvação é, segundo a própria amiga que levantou a tese, se você responder a duas dessas perguntinhas inconvenientes, recebe-se carta branca para adquiri-la. Basta ver se a análise de crédito vai concordar. Ou o seu marido.

Daniela Beatriz Carvalho de Abreu